Entrei na universidade bem ao acaso e graças aos meus pais, que me derem condições para que eu pudesse estudar mais tempo e não ter que ir trabalhar já com 17 anos (ou antes). Fiquei dividido entre engenharia e biologia (na época eu gostava muito de genética e fisiologia do esporte). Passei em Biologia.
Iniciei na Biologia da Unesp em Rio Claro e depois de 2 anos me transferi para Universidade de São Paulo (USP). Posso dizer que fui um aluno bem normal. Fazia minha iniciação científica durante o dia, no final da tarde jogava bola, jantava (ou não) e ia assistir às aulas (dormindo um pouco nas mais chatas).... Eu praticava esportes em excesso, 5 a 6 vezes por semana. Era treinamento durante a semana e campeonatos no final de semana. Época boa! O esporte também me levou a fazer parte da Atlética da Bio. Fui tesoureiro por 1 ano e meio e presidente por outro 1 ano e meio. Esse tempo na atlética foi muito importante, pois aprendi muitas coisas sobre administração e relação com as pessoas. Importante falar que, mesmo fazendo tudo isso, nunca fiquei de recuperação em matéria alguma, mesmo nas mais chatas....
Depois de um curto período fazendo iniciação com genética em microbiologia, fui para a Escola de Educação Física e Esporte estudar biologia molecular em Fisiologia do Exercício com a Professora Patrícia Brum. Lá acompanhei duas pós-docs, uma com fisiologia e outra com genética de doenças cardiovasculares no InCor. Por problemas de odores e dor de cabeça, acabei desistindo um pouco da fisiologia e continuei só com a genética no Incor. Lá, tive o Dr. Alexandre Pereira como co-orientador do meu projeto e aprendi bastante e publiquei um paper como 1º autor.
No InCor, encontrei uma estrutura muito boa e decidi fazer meus mestrado lá. Meu mestrado teve a orientação do Alexandre Pereira e co-orientação do Dr. José Eduardo Krieger. Foi um mestrado em genética de doenças cardiovasculares no qual tive que padronizar algumas técnicas novas no laboratório. Durante o mestrado me envolvi com outros projetos e estes projetos geraram outras publicações. Um ponto muito importante do mestrado foi o fato de ter a responsabilidade de ensinar alunos de iniciação científica. Essa foi uma experiência bem interessante, pois o Alexandre sempre me deixava cuidar dos projetos dos alunos e ele ficava responsável só pelas grandes decisões. Foram 4 alunos ao todo e, talvez por eu ser uma pessoa bem exigente, considero que 3 foram fracassos meus e um foi sucesso. De qualquer forma, foi uma experiência muito legal. Importante lembrar que durante o mestrado eu continuei jogando bola pela faculdade e continuava levando tudo sem problemas...
Quando estava terminando o mestrado, desanimei um pouco com a genética, pois estavam surgindo novas técnicas de sequenciamento e meu trabalho inteiro de 2 anos tinha sido meio em vão porque ninguém queria saber de sequenciamento de genes isolados sem análise funcional para doenças cardiovasculares, mesmo eu tendo achado mutações bem interessantes. Decidi que queria mudar. Lendo algumas coisas, decidi que eu deveria estudar micro-RNAs. Acreditava que eles iriam responder muita coisa que a genética não respondia. Falei com o Alexandre e, por não ser a especialidade do laboratório e nem dele e do Krieger, ele me propôs um outro projeto. Esse novo projeto envolvia uma tal de célula iPS. Eu não sabia quase nada sobre essas células na época, mas mesmo assim decidi aceitar, pois não queria sair do InCor e porque parecia um desafio bem grande e muito interessante.
O doutorado com essas células foi muito difícil. Tive que padronizar a reprogramação dessas células quase que sozinho, pois o pessoal que trabalhava com isso no lab trabalhava com células de camundongos e existe uma grande diferença entre as células de camundongos e de humanos.... Mesmo assim, eu consegui! Passei para o próximo passo que foi o de fazer essas células "virarem" células do coração. Essa tarefa foi mais árdua ainda, mas me valeu uma viagem de 50 dias para os Estados Unidos para visitar laboratórios que já faziam isso. Após voltar de lá eu tinha certeza que iria conseguir e foi aí que as coisas começaram a mudar.
Logo após voltar, os experimentos começaram a dar indícios de que iam funcionar e foi quando numa conversa com o Alexandre ele falou: "Se isso der certo, você já pensou em abrir uma empresa e oferecer isso como um serviço? Acho que você tem um perfil empreendedor e deveria pensar nisso. Pensa sobre isso e assim que você conseguir o primeiro batimento, a gente volta a conversar sobre isso" ..... Aquilo ficou na minha cabeça... No início porque eu estava meio que desestimulando com essa coisa de fazer pesquisa dentro da academia. Eram tantas burocracias... E depois porque eu comecei a pensar em fazer a pesquisa que eu queria fazer e, mais ainda, poderia aplicar ela para a sociedade....
Assim decidido, comecei a juntar minha equipe, mas os detalhes ficarão para um tópico específico. Com a equipe formada, passamos a fazer reuniões quinzenais, depois semanais. Nunca lemos nada sobre ser empreendedor, apenas íamos resolvendo os problemas que apareciam... Entramos em um programa de capacitação, o InovAtiva Brasil, e ele nos mostrou muitas coisas importantes, que ganharão um tópico só pra isso, mas já adianto que o maior aprendizado que recebi foi saber das experiências/histórias de outros empreendedores (a mais tempo nisso do que eu). Saber o que acontece na vida real é muito melhor do que 5 livros que você possa ler...
Para acabar, já que esse texto está enorme, tenho esse desejo de passar um pouco a minha experiência para as pessoas para, quem sabe, poder ajudar assim como outros me ajudaram e ainda ajudam. Espero que você aproveite das informações!
Um grande abraço...